Visão Geral do Setor

O setor de entretenimento ao vivo é bastante amplo e engloba (i) promoção de eventos; (ii) operação de bilheteria, comercialização de alimentos, bebidas e produtos promocionais (merchandising) e operação de casas de espetáculos; e (iii) venda de patrocínio.

O público final é representado por pessoas que podem ter distintas características sócio-demográficas e preferências, conforme o tipo de conteúdo oferecido.

A indústria de entretenimento promove uma grande variedade de eventos, sendo que os principais segmentos de entretenimento ao vivo são os espetáculos musicais, teatrais, exposições de arte e eventos esportivos.

Estrutura da Indústria de Entretenimento ao Vivo

Os provedores de conteúdo podem ser subdivididos em dois componentes: (i) os managers dos artistas; e (ii) os agentes que representam e negociam em nome dos artistas, cobrando dos artistas comissões sobre as diversas receitas originadas. Já os promotores de eventos podem desempenhar diferentes funções, cada qual com drivers de valor específicos:

Promoção de Eventos: responsáveis pela organização e promoção do evento, têm como driver de valor o resultado da venda de ingressos contra custos de promoção e contratação do artista;

Operação de bilheteria: responsáveis pela administração da venda de ingressos que pode incluir comercialização via internet, pontos de venda, bilheterias, entre outros. As principais fontes de receitas desta atividade são as taxas de conveniência e entrega, bem como comissões cobradas sobre o preço dos ingressos;

Comercialização de alimentos, bebidas e merchandising: gera valor para a indústria de entretenimento ao vivo por meio da comercialização de serviços de alimentação, bebidas e merchandising durante a realização dos eventos;

Operação de casas de espetáculos e de serviços de estacionamento: operacionalização das venues, incluindo sistemas de iluminação, som e vídeo e serviço de estacionamento. Resultado econômico da atividade é função das receitas de aluguel venda de camarotes e estacionamento deduzido de custos e despesas associados;

Venda de Patrocínio: exposição da marca de parceiros em toda cadeia de valor do setor de entretenimento ao vivo, podendo ter um ou mais patrocinadores em um ou mais elos da cadeia. Atualmente é grande o número de empresas que associam suas marcas a eventos musicais, esportivos, culturais e, mais recentemente, de responsabilidade sócio-ambiental. O resultado dessa atividade é extremamente importante para a viabilidade de um determinado evento, sendo que algumas vezes a decisão de contratação de um evento é determinada pela possibilidade de associação com um patrocinador. A receita com patrocínio pode estar presente na promoção dos eventos, na comercialização de alimentos, bebidas e merchandising e na operação de casas de espetáculos e estacionamento.

O mercado de entretenimento é bastante expressivo e vem apresentando elevadas taxas de crescimento desde 2000. Segundo dados da Euromonitor, em 2012, o gasto médio per capita para uma série de 71 países com entretenimento representava cerca de US$ 1.001 por ano. Ao se considerar a população desses mesmos países, que totalizava 5,7 bilhões de habitantes, o dispêndio com entretenimento em geral representou US$ 5,7 bilhões durante o ano de 2012. Considerando apenas o subitem gasto com recreação e serviços culturais, o dispêndio totalizou ao redor de US$ 2,0 bilhões.

Mercado de entretenimento

O mercado de entretenimento na América do Sul tem apresentado um crescimento ainda mais forte do que o crescimento médio dos demais países. No Brasil o gasto anual per capita com entretenimento em dólares apresentou um CAGR de 13,0%, saindo de US$ 152 em 2005 para US$ 359 em 2012 e o dispêndio total com entretenimento em 2012 no Brasil foi de quase US$ 70 bilhões. Já na Argentina, o gasto médio per capita com entretenimento foi de US$ 326 em 2012, representando CAGR de 8%, em Dólares, entre 2005 e 2012 nos gastos per capita. O Chile apresentou US$ 560 como gasto médio per capita em 2012, representando um CAGR de 12%, em dólares, entre 2005 e 2012.

Dinâmica do mercado de entretenimento

A dinâmica do mercado de entretenimento na América do Sul é diferente da dinâmica de países desenvolvidos. De forma geral as maiores companhias atuantes em mercados desenvolvidos, como a Live Nation e AEG Live, possuem escala econômica que lhes permite negociar conteúdos e produzi-los sem a necessidade de parcerias com outros promotores. Já em mercados em desenvolvimento, os provedores de conteúdo tanto locais como internacionais não possuem escala e/ou estrutura física para promover seus próprios conteúdos e com isso buscam formar parcerias com promotores de eventos locais, que tenham capacidade de execução e capacidade financeira comprovadas, de forma a possibilitarem eventos de qualidade com escala econômica viável.

Essas parcerias permitem que provedores de conteúdo tenham acesso a mercados com elevado potencial de retorno e que os promotores de eventos locais ganhem acesso a conteúdos de qualidade que, no geral, apresentam demanda reprimida em seus mercados.

A maioria das empresas de entretenimento opera casas de espetáculos em grandes cidades populosas, sendo capazes de atrair um grande volume de espectadores. O investimento público também pode influenciar na localização destas empresas, como, por exemplo, cidades que queiram melhorar o conhecimento das artes e vida cultural de sua população podem incentivar financeiramente a criação ou mudança de locação de uma empresa.

Em relatório publicado pela IBISWorld ("Promoters of Performing Arts, Sports and Similar Events with Facilities in the US"), estima-se que grande parte dos consumidores na área de entretenimento ao vivo seja composta por famílias, sendo que nos Estados Unidos esta participação corresponde a 90% e a maioria possui computador com acesso à internet, canal de venda que representa dois terços das vendas de ingressos naquele país. Os consumidores variam consideravelmente em termos de idade e características, já que a indústria promove uma grande variedade de eventos. Por exemplo, consumidores que atendem eventos de esportes são geralmente do sexo masculino e mais jovens do que consumidores que atendem eventos relacionados à arte.

Principais Segmentos da Indústria de Entretenimento ao Vivo

O setor de entretenimento ao vivo é formado principalmente pelos seguintes segmentos: (i) espetáculos musicais; (ii) espetáculos familiares e teatrais; e (iii) eventos esportivos.

O mercado mundial de entretenimento ao vivo apresenta números expressivos, sendo que no ano de 2016, considerando apenas os 15 maiores promotores de eventos foram comercializados cerca de 84 milhões de ingressos, segundo ranking publicado pela Pollstar.

Ranking Pollstar - Maiores promotores do mundo por número de ingressos vendidos (milhões) em 2016:

Fonte: Pollstar

Espetáculos Musicais:

O segmento de espetáculos musicais inclui a sua promoção e/ou produção. Frequentemente, para iniciar espetáculos ao vivo ou turnês, os artistas contratam diretamente os agentes para representá-los por um determinado período de tempo. Os agentes entram em contato com promotores, os quais irão contratar com ele ou diretamente com o artista para promover os espetáculos. Os artistas são pagos por seus agentes de inúmeras maneiras, podendo incluir nas formas de pagamento garantias de quantias fixas e/ou uma porcentagem da venda de ingressos, ou até mesmo uma porcentagem dos lucros. Além disso, os promotores podem reembolsar os artistas por despesas de produção, como som e iluminação.

Ao logo dos últimos anos vem ocorrendo uma mudança significativa na maneira como os artistas musicais auferem as suas receitas. As principais fontes de receita da indústria musical são as turnês, vendas de musicas em mídia e royalties.

Tomando como base a indústria norte americana de entretenimento ao vivo musical, nota-se uma tendência do aumento da receita via turnês em detrimento da receita via comercialização de músicas. Em 2004, o total de receita com venda de músicas em mídia representava cerca de cinco vezes o total de receita com turnês, sendo que em 2009, essa relação caiu para menos de duas vezes. As turnês se tornaram essenciais para os artistas, que foram pressionados a aumentar o número de atuações ao vivo, a fim de compensar a diminuição das receitas de venda de músicas. Essa tendência está relacionada à maior facilidade de obter e escutar as músicas de seus artistas preferidos por meio da internet, por exemplo.

Em 2016, para o grupo de artistas como Taylor Swift, Rolling Stones, Shania Twain, U2 e Madonna, a receita com turnês representou a maior parte de sua receita total entre turnês e venda de álbuns nos EUA, conforme ilustrado no gráfico abaixo:

Ranking Billboard - Breakdown dos ganhos dos artistas nos EUA em 2016 (em milhões de US$)

O segmento de espetáculos musicais tem crescido no Brasil nos últimos anos. As empresas investem em formas alternativas para atingir o consumidor, como o brand experience, onde é feita uma interação entre uma marca e o público, criando-se um vínculo e fidelização do consumidor. Por esta razão, empresas têm o interesse em continuamente investir em espetáculos musicais como uma forma de marketing da marca.

Principais Casas de Espetáculos na América do Sul:

São Paulo Citibank Hall, Espaço das Américas, Tom Brasil, Cine Joia, Vila Country e Áudio Club
Rio de Janeiro Km de Vantagens Hall, Circo Voador, Rio Arena, Vivo Rio, Fundição Progresso e Barra Music
Brasília Marina Hall, Centro de Convenções Ulysses Guimarães e Ginasio Nilson Nelson
Curitiba Live Curitiba , Teatro Positivo e Teatro Guaíra
Salvador Bahia Café Hall, Museu do Ritmo e Concha Acústica
Fortaleza Siará Hall
Belo Horizonte ExpoMinas, KM de Vantagens Hall e Mega Space
Florianópolis Floripa Music Hall
Recife Chevrolet Hall, Baile Perfumado e Centro de Exposições de Olinda
Porto Alegre Bar Opinião, Auditorio Araujo Vianna, Bourbon Country e Pepsi On Stage
Buenos Aires Teatro Opera, Luna Park, Obras Sanitarias, Lola Menbrives e Gran Rex
Santiago Arena Movistar e Teatro Caupolican

Espetáculos Teatrais e Entretenimento Familiar

Espetáculos teatrais consistem em produções de musicais já existentes, trabalhos dramáticos e no desenvolvimento de novos trabalhos. Os produtores de musicais primeiramente adquirem os direitos para produzi-los por cerca de três a quatro anos, devendo pagar royalties pela sua utilização. Os produtores ficam responsáveis pela venda de ingressos, contratação de pessoal, divulgação e pagamento de uma caução aos produtores, a qual será reembolsada juntamente com as despesas havidas com a venda de ingressos. Uma vez que os musicais requerem grandes investimentos de tempo e dinheiro se comparados às produções dramáticas, geralmente estão mais inclinados a se tornarem turnês.

Na América do Norte, as receitas provenientes das produções da Broadway têm apresentado crescimento médio anual de cerca de 5% ao longo dos últimos dez anos, conforme demonstrado no gráfico abaixo:

Receita Total - Produções da Broadway na América do Norte

(US$ milhões) - CAGR 05-15: 4,7%

Fonte: Broadway League.

No Brasil, as produções musicais são em sua maioria internacionais e têm como público alvo a família. O segmento de espetáculos teatrais tem ganhado força com estas grandes produções estrangeiras que são trazidas ao país, como, Wicked, Mudança de Hábito, O Rei Leão, Les Miserables, O Fantasma da Ópera, A Bela e a Fera, Miss Saigon, Chicago, A Família Addams e Mamma Mia!.

Em razão da expansão deste segmento, o número de casas de teatro aumentou e as existentes passaram por reformas para comportar espetáculos internacionais e para atender a um público que se tornou cada vez mais exigente.

Principais Teatros na América do Sul:

São Paulo Teatro Renault, Teatro Cetip, Teatro Municipal de São Paulo, Teatro Alfa, Teatro Procópio Ferreira, Teatro Sérgio Cardoso, Teatro Bradesco, Teatro FAAP, Teatro da Universidade Católica de São Paulo (TUCA), Teatro das Artes e Teatro Shopping Frei Caneca, Teatro Net
Rio de Janeiro Teatro Carlos Gomes, Teatro do Leblon, Teatro Oi Casagrande, Cidade das Artes - Grande Sala, Teatro Municipal do Rio de Janeiro, Teatro Vanucci e Teatro Dos Quatro e Teatro Clara Nunes
Brasília Teatro Nacional Cláudio Santoro
Curitiba Teatro Guairá, Ópera de Arame, Teatro do Sesc, Teatro HSBC e Teatro Positivo
Salvador Teatro Castro Alves
Belo Horizonte Minascentro, Palácio das Artes e Dom Silvério
Recife Teatro Guararapes
Porto Alegre Auditório Araújo Vianna, Teatro Sesi - Porto Alegre e Teatro do Bourbon Country
Buenos Aires Teatro Opera, Teatro Maipo, Teatro Nacional Cervantes, Teatro Colon, Gran Rex, Teatro Coliseo
Santiago Teatro Caupolican

Exposições de Artes

O segmento de exposições tem por objeto amostras de obras de artistas nacionais e internacionais, que expõem pinturas, esculturas, fotos, entre outras obras. Em comparação aos demais segmentos de entretenimento ao vivo, o sucesso das exposições de artes depende da acessibilidade do público aos eventos que ocorrem em pontos diversificados das cidades, como parques e estações de metrô e do preço dos ingressos que tendem a ter preços mais atrativos com relação aos demais segmentos. São Paulo é o principal ponto cultural do País, sendo que estimativas da SPTuris apontam para cerca de R$ 700 milhões de gastos anuais somente com aluguel de áreas para exposições, sendo que a cidade abrigou as mais importantes exposições realizadas na América do Sul dos últimos anos, como exemplo: Corpos Pintados, Água na Oca, Leonardo da Vinci, Bodies, Puras Misturas, Auguste Rodin, Monet, Picasso.

Eventos Esportivos

Este segmento é composto, principalmente, pela promoção e produção de eventos automobilísticos especializados, como corridas de motos, caminhões, carros, entre outros. As competições automobilísticas em particular têm sido um ramo de grande crescimento dentro do segmento de eventos esportivos. Tal fato é resultante, principalmente, da popularização do esporte, bem como de uma demanda adicional do mercado, como no caso da Europa e Ásia, onde novos autódromos foram construídos recentemente. Destacam-se dentre os principais eventos mundiais da área, a Fórmula 1, a NASCAR e a Indy Racing League.

No Brasil, embora o segmento esportivo tenha ganhado força no setor de entretenimento, principalmente após o surgimento do marketing esportivo, ainda encontra-se em fase inicial, sendo, portanto, um mercado com um grande potencial de desenvolvimento.

O esporte que mais tem destaque neste segmento é o futebol, mas outros começam a ganhar força como o vôlei, o basquete, o tênis e o futsal, que também têm recebido consideráveis montantes de patrocínio. O Brasil tem sido também sede de diversas competições internacionais como o GP Brasil de Fórmula 1, o São Paulo Indy 300, o mundial de Vôlei de Praia, maratonas internacionais entre outros.

O patrocínio de eventos esportivos é um dos grandes responsáveis pelo crescimento do segmento.

Participação em cada um dos segmentos

Espetáculos Musicais. Teatrais e Entretenimento Familiar

O mercado da América do Sul conta com vários concorrentes, tais como (i) Dell’Arte Soluções Culturais; (ii) Artplan; (iii) Dream Factory, empresa parte do grupo Artplan; (iv) 360º Below the Line; (v) Divina Comédia; e (vi) Aventura Produções. Entretanto, a Companhia acredita ser a única que trabalha de forma verticalizada. Particularmente em relação ao segmento Espetáculos Teatrais e Entretenimento Familiar, em razão do sucesso de público que tem verificado nos últimos anos, a Companhia passou a investir bastante neste segmento.

Eventos Esportivos

Dentre nosso principais concorrentes neste segmento destacam-se: (i) T’Ai Produções e Eventos, realizou o Superkite Ceará - do Circuito Mundial de Kitesurf; (ii) SPIRIDON - Promoções e Eventos, realizou eventos como o World Cup Triathlon, etapa mundial; (iii) Dunas Race, responsável pelo Rally dos Sertões; (iv) YESCOM, realizou eventos como o Sul América Open de Tênis; Copa Davis de Tênis; (v) Koch Tavares, empresa responsável pela inclusão do vôlei de praia como esporte de competição nas Olimpíadas de Atlanta; (vi) Maric Eventos, responsável pela realização do Aberto de São Paulo - Torneio Internacional de Tênis; e (vii) Latin Sports, que atua em três áreas específicas: eventos, palestras e consultorias.

Visão Geral do Setor na América do Sul e Oportunidades de Crescimento

Em 2012, no mercado da América do Sul, considerando os países que temos presença (Brasil, Argentina, Chile e Peru), o número de habitantes totalizava 282 milhões, representando um grande potencial para a indústria de entretenimento e, nos últimos anos chamou a atenção pelo seu ritmo de crescimento econômico. O PIB em dólares dessas economias, que em conjunto, apresentou um crescimento médio anual de 13% entre 2005 e 2012, alcançou US$ 3,3 trilhões em 2012. Porém, comparando o gasto de entretenimento em geral, em termos relativos, ao de economias desenvolvidas, como os EUA e Inglaterra, nota-se que ainda há uma importante diferença, conforme demonstrado pelo gráfico abaixo:

Fonte: Euromonitor

Comparando os dados de gastos com entretenimento como percentual da renda disponível e dados do PIB per capita das economias, nota-se a existência de uma correlação positiva entre as duas variáveis, o que indica que quanto maior o PIB per capita maior será o gasto com entretenimento como percentual da renda disponível, conforme ilustrado pelo gráfico abaixo.

Fonte: Euromonitor

Países em desenvolvimento têm apresentado taxa de crescimento do PIB superior aos países desenvolvidos com um aumento do PIB per capita.

(ii) Condições de Competição nos mercados

Cenário Competitivo e Barreiras de Entrada no Setor de Entretenimento

O mercado da América do Sul de entretenimento ao vivo é bastante fragmentado em relação à quantidade de competidores em cada atividade/fase de realização do evento, mas relativamente consolidado do ponto de vista de empresas que possuem domínio de conteúdos de qualidade e principais casas de espetáculos. Por exemplo, acreditamos que não há nenhuma outra empresa com modelo de negócios totalmente integrado, verticalizado e com o volume de conteúdo de qualidade que possuímos. Desta forma, cada etapa de realização do espetáculo artístico/cultural (promoção, produção, gestão da venda de ingressos, exploração das casas de espetáculos, venda de alimentos e bebidas, etc.) engloba diferentes competidores de nicho, em cada um dos países.

Última Atualização em 9 de Junho de 2017

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